Mostrando postagens com marcador Miguel Gomes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Miguel Gomes. Mostrar todas as postagens

04 janeiro 2010

Os melhores do ano

Não tento afirmar nenhuma verdade, apenas exponho minhas idiossincrasias nesta lista definitiva dos melhores do ano que passou. Um ano cinematograficamente ótimo e ao mesmo tempo fraco. Numa breve análise, só penso em relatividade. São bons filmes, mas, a maioria, não é comparável a obras-primas do cinema. Talvez a exceção seja Aquele Querido Mês de Agosto, que, por toda a sua inventidade, escape dessa tênue linha do que pode ser bom, se comparado fora deste ano em que a expectativa de sair do cinema satisfeita foi raras vezes atendida.

Mas eis minhas boas sessões de 2009:


10.A Troca | Clint Eastwood

Clint Eastwood é aqui correto. Bem conduzida, a história protagonizada por Angelina Jolie evolui de drama a suspense om uma sutileza que só uma boa direção consegue alcançar.


9.Valsa com Bashir | Ari Folman

Dá até um certo alívio não assistir cenas reais dos conflitos em solo libanês. Por isso, a animação intensifica a captação para o inconsciente virtual do personagem. Memórias que fluem bem até o momento em que a última cena revela que a realidade é dura demais para ser romantizada.

8.Inimigos Públicos | Michael Mann

Intenso e ágil, o filme funciona bem. Discordo de quem diz que o filme é forçado.


7.Aquele Querido Mês de Agosto | Miguel Gomes

Nunca presenciei uma sessão em que tanta gente desistisse e abandonasse a sala em menos de 30 minutos de filme. A cada saída, o filme me interessava ainda mais e não deu outra: fui conquistada pelo humor de Aquele Querido Mês de Agosto. Mais do que mesclar ficção no documentário, o filme se sobressai pela fuga da inércia do gênero.


6.Moscou | Eduardo Coutinho

Diretor de conceitos, acima de tudo, Coutinho estende o pano de Jogo de Cena e arma o espetáculo de Moscou. Discussões semelhantes ao primeiro são levantadas neste último, que problematiza o real mais uma vez. Talvez um pouco duro demais se descontextualizado dessa siginificação de complementaridade.


5.Deixa Ela Entrar | Tomas Alfredson

Assisti este daqui degustando cada detalhe que nem percebi que era terror. Acho exagero ser considerado o melhor do gênero de todos os tempos, como muito se comenta por ai, mas reconheço o encantamento pela forma com que o vampiresco se torna poético. Sem superestimá-lo, Deixa Ela Entrar tem umas imperfeições meio decepcionantes, mas compensadas pela melhor cena do ano:

http://www.youtube.com/watch?v=ZuBfmX3VBCE

4.Entre os Muros da Escola | Laurent Cantet

Adoro como a lente realista do diretor joga na cara de outros filmes que tentam fazer o mesmo para convencer com verossimilhança roteiros fracos. Reflexivo, Entre les murs, no original, é objeto pedagógico de primeira, sem burocracias sociológicas.

3.Bastardos Inglórios | Quentin Tarantino

Não há muito o que reclamar se a queixa refere-se aos excessos. Em se tratando de Tarantino, a História é invadida por uma licença póetica super empolgante.

2.Amantes | James Gray

O filme mais "ame ou odeie" da lista precisa de uma boa justificativa para aparecer em segundo no ranking. Talvez não consiga convencer a muitos de que o filme é bom por motivos simples, mas me indigno quando não reconhecem a forma com que os clichês neste filme saltam para outro nível e se fazem necessários para se chegar ao final feliz paradoxalmente angustiante.


1.Gran Torino | Clint Eastwood

Flui entre a evolução constante de humor-ironia-tensão, saltando aos olhos reflexões sobre a América madrasta má de etnias e grupos à margem social. Simplicidade para reforçar tradicionalismos, multiplicidade para tensionar estereótipos. Clint Eastwood vem com Gran Torino para nos lembrar o que é o velho e bom cinema, com roteiro e direção de qualidade, e, ainda, com interpretação enérgica. Sinto-me livre para dizer que Gran faz o meu tipo favorito de 'filme de ação' (referente ao espectador ativo) – quem assiste passivamente sai perdendo.

19 setembro 2009

Para falar de tons e ares


(Aquele Querido Mês de Agosto, Miguel Gomes, Portugal, França, 2008).

(O Céu de Lisboa, Wim Wenders, Alemanha, Portugal, 1995)