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19 outubro 2009


(The Informant, EUA, 2009). Steven Soderbergh estaria num ritmo de dar inveja se seus quatro últimos lançamentos em apenas dois anos - os Che's, Confissões de uma Garota de Programa e, agora, O Desinformante - realmente fossem dignos de receberem as honras de admiráveis (ainda não vi Confissões, mas o filme não foi lá muito bem recebido). A impressão que O Desinformante passa é por aí. Dá para perceber uma tentativa de dosar tom documental para contar uma história baseada em fatos reais com um estilo mais solto de comédia. Mas esbarrei com Soderbergh com uma energia superficial, que pretende emanar de diálogos e trilhas animadas, mas sem força suficiente para manter ironias. Matt Damon faz bem, mas, para mim, só contribuiu para intensificar essas características. O resultado é nanico e um tanto sem graça. Desempolgante.

09 abril 2009


(Che - El Argentino, França, Espanha, EUA, 2008). Se antes achava que o subtítulo desta primeira parte fosse incoerente com a história retratada no período de luta armada em Cuba, agora penso que o uso faz-se totalmente coeso com o que assistimos na tela. Espera-se no mínimo uma retratação de momentos durante ou imediatamente pós diários de motocicleta, que se encarregaria de mostrar as motivações do revolucionário, e no entanto, encontramos Che já pronto, armado, para a luta contra as mazelas cubanas. Começa-se desde então a ressaltar sua personalidade coletiva, que excede os limites territoriais, trazendo o título para a ideia: o argentino que está lutando por Cuba. Uma singela forma de mostrar quem foi Che, de um jeito que foge da exaltação comumente vista em torno da figura de Guevara.

E é aí que Steven Soderbergh se destaca. A impressão que tive é de que até mesmo um leigo em fatos históricos relativos ao período assistisse ao filme, ele não sairia com uma imagem romantizada e heróica do carinha da boina, porque ele não vai encontrar acentuado destaque para o lado afetuoso e generoso de Guevara, com suas famosas frases e demonstrações de amor pelo próximo – não é a toa que a imagem de seu corpo morto foi comparada com a de Jesus Cristo.

O filme vai além, principalmente quando se utiliza do tom realista, quase documental, que permite um escape de modelos hollywoodianos tão banalizados em cenas de ação e aventura. Temos ainda os outros personagens representados com importância se não igual ao menos próxima de Che, que claramente está subordinado ao comandante Fidel Castro. A atenção aos detalhes históricos faz-se presente, e tudo isso acaba fazendo de Che – O Argentino uma forma de humanizar a figura de Guevara. Não posso falar que ‘desromantiza’, mas o contrário também não faz. E é por isso que humaniza.