11 agosto 2009


(Coração Vagabundo, Brasil, 2008). Documentário cosmopolita do provinciano de Santo Amaro, Coração Vagabundo talvez funcione tão bem porque tem a cara de Caetano. Fernando Grostein Andrade o acompanha pelas calçadas e ao mesmo tempo se preocupa com os tipos ao redor: enriquece e eleva o filme ao status de um casamento de contradições com o pano de fundo da coerência entre ideias livres.

É Caetano em sua nova fase de Brasil lá fora, longe dos clichês de acarajé baiano, praia carioca ou avenida paulista, mas perto pelo sotaque, pelo jeito, pelos pensamentos prosaicos nas ruas de Osaka e Nova York. Também pelas andanças em ruas luminosas, pelas cenas urbanas de gente comum. Mas como é Caetano, que não fala (só) para os populares, também integram o elenco pessoas como Michelangelo Antonioni, Pedro Almodóvar e David Byrne. Sempre dá um up documental filmar estrelas além da estrela, não é mesmo? Um tanto emocionante também. Fácil cair no jogo.

Músicas cantadas em inglês, monge budista pronunciando coração vagabondo, silêncio
italiano de Antonioni, espanhol de Curucucu Paloma no filme de Almodóvar, e os ciúmes de Paula Lavigne de Gisele Bündchen são alguns dos fartos exemplos que afiançam o resto do verso da canção que dá nome ao filme: 'quer guardar o mundo em mim'.